Brederode e Mateiu Caragiale. Martinho de Brederode, poeta, embaixador e personagem literária

Abstract: (Brederode and Mateiu Caragiale. Martinho de Brederode, poet, ambassador and literary character). The scion of one of the most famous Portuguese aristocratic families, with an equal Dutch lineage, Martinho de Brederode attended, during 1883-1884, the first year's classes of Coimbra University, only to obey the family tradition as to pursue a career in the Navy. In 1899 he began his life-long diplomatic career and, in between two appointments abroad, he succeeded to write three volumes of poetry, then quite an useful achievement to ensure high positions, either in the public service or in diplomacy. During his diplomatic stay in Bucharest, 1919-1933, Brederode became acquainted with the great playwright Caragiale's son, Mateiu, himself a poet and author to be of a single novel. Brederode occasionally employed Mateiu Caragiale for various jobs, manly translations of diplomatic propaganda to be published by the Romanian press. For a certain time, the Romanian writer became his confident and friend. This friendship between a Portuguese diplomat and a "marron diplomat", which Mateiu Caragiale had always struggled to become and had never succeeded, was the inspiring source for one of the most fascinating characters of Craii de Curte Veche, Pantazi. This presumed Levantine is nobody else but the mirror reflex of the Portuguese-Dutch aristocrat Martinho de Brederode.

Keywords: History of Literature, Comparative Literature, Mateiu Caragiale, Martinho de Brederode, Dandism

Resumo: Oriundo de uma família da mais nobre aristocracia luso holandesa, Marinho de Brederode frequentou em 1883-84 o primeiro ano da Universidade de Coimbra para dar curso a uma tradição familiar que lhe predestinava uma carreira militar na armada. Em 1889 entra para a carreira diplomática e entre duas nomeações no estrangeiro publica três volumes de versos que lhe angariam fama de poeta, muito útil naquele tempo para a progressão e nomeação em altos cargos na função pública e na carreira diplomática. Durante o seu mandato diplomático em Bucareste (1919-1933), conheceu o filho do grande Caragiale, Mateiu, também ele poeta e futuro autor de um único romance. Martinho de Brederode conviveu e contratou Mateiu Caragiale para a execução de trabalhos de vária ordem, principalmente traduções de material de propaganda diplomática para a imprensa romena. Durante algum tempo o escritor romeno foi seu confidente e amigo. Dessa amizade entre o ministro português e o “Ambassadeur marrom” que Mateiu ambicionava e nunca chegou a ser, havia de resultar a inspiração para um dos mais fascinantes personagens docélebre romance “Craii de Curtea Veche”, Pantazi, retrato de um suposto levantino inspirado em reflexo de espelho no aristocrata luso holandês Brederode.

Palavras-chave: História da literatura; Literatura Comparada; Mateiu Caragiale; Martinho de Brederode; Dandismo